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17/08/2004 - Grandes empreendimentos
normalmente trazem problemas sociais e ambientais à população quando
não são amplamente estudados e planejados. Para garantir o sucesso
dos projetos, com responsabilidade, em junho de 2003 o International
Finance Corporation (IFC), instituição vinculada ao Banco Mundial
que fornece financiamentos a projetos da iniciativa privada, criou
uma série de exigências, conhecida como "Princípios
do Equador". O assunto será amplamente discutido e apresentado
aos executivos brasileiros em um workshop, intitulado "Rating socioambiental
nas decisões de project finance e gestão de investimentos" que vai
acontecer no dia 7 de outubro, em São Paulo. O encontro é organizado
pelo Instituto Uniemp - Fórum Permanente das Relações Universidade
Empresa e pela Unicorp.
O encontro também vai mostrar as diretrizes do Programa de Meio
Ambiente das Nações Unidas (UNEP), o "Global
Compact", que foi lançado em 2000. Trata-se de um conjunto
de princípios voluntários destinado a orientar decisões empresariais
com foco em ações de meio ambiente, direitos humanos e trabalho.
Os "Princípios do Equador" são diretrizes socioambientais que precisam
ser utilizadas pelas instituições financeiras que vão fornecer financiamentos
acima de US$50 milhões às empresas. A primeira instituição brasileira
a fazer parte do acordo é o Unibanco. No mundo, existem 23 instituições
que aderiram aos princípios, como ABN Amro, Bank of America, Barclays,
BBVA, CIBC, Citigroup, HSBC, Mizuho Corporate Bank, Royal Bank of
Canadá, Royal Bank of Scotland, entre outras.
O coordenador ambiental para América Latina, Mauricio Athie, vai
mostrar no encontro quais os conceitos dos princípios e como já
vem sendo aplicado. "Esse é um passo muito importante e vai se tornar
referência no mundo. É fundamental as instituições financeiras terem
essa consciência e mostrar às empresas a importância do respeito
pela responsabilidade social e ambiental, que é essencial para um
desenvolvimento sustentado, nos âmbitos econômicos e sociais", coloca
Athie.
De acordo com o presidente da Unicorp, José Antônio Campos Chaves,
um recente simpósio dos líderes do Global Impact das Nações Unidas
reuniu doze instituições financeiras internacionais que apresentaram
um estudo que demonstra o impacto dos critérios sociais, ambientais
e de governança corporativa na gestão de fundos mútuos e de fundos
de previdência complementar. A brasileira ABN Amro Asset Management
estava presente e as maiores bolsas de valores do mundo aderiram
formalmente ao Global Impact, com destaque para a Bolsa de Valores
de São Paulo (Bovespa).
A aplicação dos conceitos é baseada no estabelecimento de um Rating
socioambiental, feito pelas instituições financeiras. Assim,
os projetos serão classificados em A (alto risco), B (médio risco)
ou C (baixo risco). Isso significa que os projetos apresentados
pelas empresas devem conter informações como o risco ambiental,
proteção à biodiversidade e uso de energia renováveis; proteção
à saúde e à diversidade cultural e étnica; adoção de sistemas de
saúde e segurança ocupacional e prevenção contra incêndios; avaliação
de impactos socioeconômicos; eficiência na produção, distribuição
e consumo de recursos hídricos e energia; mecanismos de prevenção
e controle de poluição; entre outras, para serem avaliadas pela
instituição financeira.
De acordo com o gerente de Project Finance do Unibanco, Hugo Assunção,
o banco já está aplicando os "Princípios do Equador" na análise
de três projetos ligados às empresas: América Latina Logística (ALL),
Latasa e BS3. "Os princípios são importantes pela responsabilidade
socioambiental, e também para as instituições financeiras terem
garantia do crédito que está fornecendo", diz Assunção.
O workshop vai contar com a participação de empreendedores para
falar da importância dos "Princípios do Equador" e do "Global Compact",
de instituições financeiras multinacionais que já aplicam o conceito
e de advogados ambientalistas que mostrarão os aspectos jurídicos
associados aos contratos de financiamento. O encontro é dirigido
a executivos de empresas interessadas em financiar projetos de grande
escala, nas mais diversas áreas: energia elétrica; petróleo e gás
natural; química e petroquímica; papel e celulose; transporte rodoviário,
ferroviário e hidroviário; portos e aeroportos; mineração, metalurgia
e siderurgia; irrigação e agroindústria; saneamento básico; construção;
consultorias jurídicas; associações e sindicatos de classe etc.
"A idéia do encontro faz parte do planejamento da nossa Plataforma
de Capacitação e Educação Continuada, que tem o objetivo de atender
as necessidades do mercado, visando a inovação na profissionalização",
afirma o presidente da Unicorp.
O workshop vai acontecer no Hotel Holiday Inn Jaraguá, em São Paulo,
das 9h às 19 horas. Informações podem ser obtidas pelo e-mail: equador@unicorp.org.br,
sites: www.uniemp.org.br
ou www.unicorp.org.br ,
e telefone: (11) 3253-9711.
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Instituto Uniemp - O Instituto Uniemp
- Fórum Permanente das Relações Universidade-Empresa é uma organização
não governamental que atua no desenvolvimento de pesquisas científicas
e tecnológicas, facilitando o relacionamento entre universidades,
empresas e governo. Atualmente, o Uniemp conta com quatro núcleos
de atuação: Tecnologia da Informação, Telecomunicações, Políticas
Públicas e Indústria Farmacêutica. O Uniemp tem projetos com empresas
como Rhodia, Cia Suzano, J. Macedo Alimentos e Siemens; com organismos
governamentais de todo o Brasil; e parcerias com as principais universidades
e centros de pesquisa do mundo. O Instituto também está iniciando
um programa de inovação e criatividade na empresa, realizado pelo
desenvolvimento de eventos, e um outro de capacitação e educação
continuada. Para mais informações sobre o trabalho e projetos realizados,
consulte o site: www.uniemp.org.br
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